A alimentação do cavalo precisa acompanhar o trabalho que ele realiza. Um animal em manutenção, com pouca atividade, não tem a mesma demanda nutricional de um cavalo submetido a treinamento frequente, provas ou trabalho intenso.
O ponto principal é entender que aumentar o exercício não significa simplesmente aumentar a quantidade de alimento. É preciso avaliar energia, proteína, fibra, minerais, vitaminas e água, além da qualidade do volumoso disponível. A dieta deve ser ajustada de acordo com o nível de atividade, o peso corporal, a condição corporal, a idade e a finalidade do animal.
Por que o nível de atividade interfere na alimentação?
Durante o exercício, o cavalo aumenta seu gasto energético. Quanto maior a intensidade e a duração do trabalho, maior tende a ser a necessidade de energia para sustentar o desempenho e a recuperação.
Em animais com pouca atividade, um volumoso de boa qualidade pode atender grande parte das exigências nutricionais. Já cavalos em treinamento ou competição podem precisar de uma dieta com maior densidade energética. Isso não significa retirar o volumoso e substituir por grandes quantidades de concentrado. Pelo contrário. O sistema digestivo dos equinos é adaptado ao consumo frequente de alimentos fibrosos, e o volumoso deve continuar sendo a base da alimentação.
Exercício leve: quando começar a ajustar a dieta?
Em cavalos submetidos a exercício leve, a alimentação ainda pode ser baseada principalmente em volumosos de qualidade. Dependendo da qualidade do feno ou da pastagem, pode não ser necessário aumentar significativamente a quantidade de concentrado. Em alguns casos, melhorar a qualidade do volumoso já contribui para atender melhor às exigências nutricionais.
A alfafa, por exemplo, apresenta maior densidade de energia, proteína, aminoácidos e cálcio do que muitos fenos de gramíneas. Por isso, pode ser uma alternativa interessante em determinadas formulações, desde que sua inclusão seja considerada dentro do equilíbrio geral da dieta. A alfafa peletizada também pode ser utilizada como ingrediente da dieta, especialmente quando se busca praticidade no fornecimento e padronização do ingrediente.
Exercício moderado: maior atenção à energia e à proteína
À medida que o treinamento aumenta, a demanda por energia também cresce. Nesse estágio, ingredientes como milho, aveia e DDGS podem fazer parte da estratégia nutricional, dependendo da composição final da dieta e das necessidades do animal.
O milho é uma fonte concentrada de energia e pode ser fornecido em diferentes formas de processamento, como grão ou moído. A aveia também é tradicionalmente utilizada na alimentação de equinos. Já o DDGS apresenta uma combinação interessante de proteína e energia, podendo contribuir para aumentar a densidade nutricional da dieta.
A proteína também merece atenção. Não basta aumentar o fornecimento de proteína bruta. A qualidade proteica e o perfil de aminoácidos são importantes para manutenção, crescimento e recuperação muscular. Por isso, ingredientes proteicos como farelo de soja e farelo de canola podem ser considerados na formulação, sempre de acordo com as exigências do animal e com o restante dos ingredientes utilizados.
Como referência, cavalos em exercício moderado podem apresentar uma participação maior de concentrados na dieta. Ainda assim, o volumoso deve continuar representando uma parcela significativa da alimentação.
Exercício intenso e animais de alta performance
Em cavalos submetidos a treinamento intenso, competições ou trabalho prolongado, o planejamento nutricional se torna ainda mais importante. Nesses casos, a dieta precisa fornecer energia suficiente para o exercício sem comprometer a saúde gastrointestinal.
Uma das estratégias é aumentar a densidade energética da dieta de maneira controlada, utilizando ingredientes adequados e distribuindo o concentrado em várias refeições menores.
O milho, a aveia e o DDGS podem contribuir para o fornecimento de energia, enquanto ingredientes como farelo de soja, farelo de canola e alfafa podem auxiliar no atendimento das necessidades proteicas e de outros nutrientes. A escolha e a proporção de cada ingrediente, porém, não devem ser feitas isoladamente. A composição do volumoso, o peso do animal, o tipo de exercício, a frequência dos treinos e a condição corporal precisam entrar no cálculo.
Em cavalos adultos, recomenda-se evitar grandes quantidades de cereais em uma única refeição. Uma referência prática é não ultrapassar aproximadamente 0,3 a 0,4% do peso corporal em grãos de cereais por refeição.
O que muda na prática conforme o nível de atividade?
Uma forma simples de visualizar o ajuste é:
Baixa atividade
- Prioridade para volumoso de boa qualidade
- Controle da ingestão energética
- Avaliação da condição corporal
- Minerais e vitaminas de acordo com as necessidades
Exercício leve a moderado
- Manutenção de uma boa oferta de volumoso
- Avaliação da necessidade de maior densidade energética
- Possível inclusão de milho, aveia ou outros ingredientes energéticos
- Atenção à qualidade e quantidade da proteína
Exercício intenso
- Maior demanda energética
- Maior necessidade de planejamento da dieta
- Uso estratégico de ingredientes energéticos e proteicos
- Divisão do concentrado em várias refeições
- Monitoramento frequente do peso e da condição corporal
Essas categorias são referências. Dois cavalos submetidos ao mesmo treinamento podem apresentar necessidades diferentes.
Ingredientes que podem fazer parte da alimentação de equinos
A escolha dos ingredientes deve partir da necessidade nutricional, e não apenas da disponibilidade de determinado produto. Entre os ingredientes utilizados em formulações para equinos estão:
- Milho grão e milho moído: fontes de energia, com diferentes possibilidades de processamento.
- Aveia: ingrediente tradicional na alimentação de cavalos, contribuindo principalmente com energia.
- Farelo de soja: fonte de proteína de alta qualidade, podendo contribuir para o atendimento das necessidades de aminoácidos.
- Farelo de canola: alternativa proteica que pode participar de formulações equilibradas.
- Casca de soja: ingrediente com elevada participação de fibra digestível, podendo contribuir para o fornecimento de energia por meio da fermentação no intestino grosso.
- Alfafa peletizada: fonte de fibra, proteína, energia e minerais, especialmente cálcio, dependendo de sua composição.
- DDGS: coproduto do processamento do milho que concentra nutrientes e pode fornecer proteína e energia à dieta.
O mais importante é considerar o ingrediente dentro da formulação. Um alimento isolado não determina a qualidade da dieta.
Água também faz parte do ajuste nutricional
Quando o nível de atividade aumenta, a atenção não deve ficar restrita aos ingredientes. A necessidade de água também pode aumentar com o exercício, principalmente em situações de calor, umidade elevada e maior produção de suor. O cavalo deve ter acesso contínuo a água limpa e fresca.
O fornecimento adequado de água é essencial para a hidratação e também para o funcionamento normal do trato gastrointestinal.
Alimentação de cavalos deve acompanhar o trabalho realizado
Não existe uma única dieta ideal para todos os cavalos. O animal em manutenção precisa de uma estratégia diferente daquele que treina diariamente. Da mesma forma, um cavalo de esporte submetido a exercícios intensos apresenta demandas diferentes de um animal utilizado ocasionalmente para lazer ou trabalho.
O caminho é ajustar a dieta de acordo com a atividade, peso, condição corporal, qualidade do volumoso e objetivo produtivo ou esportivo.
Para isso, a análise dos ingredientes e a formulação adequada são fundamentais. A utilização de matérias-primas como milho, aveia, farelo de soja, farelo de canola, casca de soja, alfafa peletizada e DDGS permite trabalhar diferentes estratégias nutricionais, sempre considerando as necessidades específicas de cada animal.
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