O bem-estar animal tem ganhado cada vez mais relevância na ovinocultura moderna, não apenas por questões éticas, mas também pelos impactos diretos sobre a saúde, o desempenho produtivo e a sustentabilidade dos sistemas de produção. Entre os fatores que mais influenciam o bem-estar dos ovinos, a nutrição adequada ocupa papel central, uma vez que está diretamente relacionada à resposta imunológica, ao metabolismo, ao comportamento e à capacidade do animal lidar com situações de estresse.
Ovinos submetidos a desequilíbrios nutricionais apresentam maior susceptibilidade a doenças, menor eficiência produtiva e alterações comportamentais que comprometem o desempenho do rebanho.
Relação entre estresse, imunidade e nutrição em ovinos
O estresse, seja ele nutricional, ambiental ou sanitário, desencadeia respostas hormonais que afetam negativamente o sistema imune. Em situações de estresse crônico, ocorre aumento da liberação de cortisol, hormônio que reduz a eficiência da resposta imunológica, favorecendo o surgimento de doenças infecciosas e parasitárias.
A nutrição atua como fator modulador desse processo. Dietas balanceadas, com adequado suprimento de energia, proteína, minerais e vitaminas, contribuem para:
- Manutenção da integridade do sistema imunológico
- Redução da inflamação sistêmica
- Melhor adaptação dos animais a desafios ambientais e fisiológicos
- Menor incidência de distúrbios metabólicos
Importância do fornecimento adequado de energia e fibra
A energia é o principal nutriente relacionado à manutenção, crescimento, reprodução e produção. Em ovinos, dietas com deficiência energética levam à mobilização excessiva de reservas corporais, aumento do estresse metabólico e maior predisposição a doenças.
A fibra efetiva, proveniente de volumosos de boa qualidade, é essencial para a saúde ruminal. A adequada fermentação ruminal promove:
- Estabilidade do pH do rúmen
- Produção eficiente de ácidos graxos voláteis
- Redução do risco de acidose ruminal
- Comportamento alimentar mais natural, reduzindo estresse
Papel da proteína na saúde e resistência a doenças
A proteína tem função estrutural e funcional no organismo dos ovinos, sendo indispensável para a síntese de tecidos, enzimas, hormônios e anticorpos. Dietas com inadequado aporte proteico comprometem a resposta imune e reduzem a capacidade do animal enfrentar desafios sanitários, como infecções bacterianas e parasitos gastrointestinais.
Fontes proteicas vegetais, como farelos e subprodutos de origem vegetal, quando corretamente balanceadas, contribuem para:
- Melhor desempenho produtivo
- Maior resistência a doenças
- Redução do estresse fisiológico
- Manutenção do escore corporal
Minerais e vitaminas como aliados do bem-estar
Os minerais e vitaminas desempenham papel estratégico na prevenção de doenças e na modulação do estresse. Deficiências minerais são frequentemente associadas a problemas reprodutivos, baixa imunidade e alterações comportamentais.
Destaque para:
- Zinco e cobre: importantes para a integridade da pele, cascos e resposta imune
- Selênio e vitamina E: ação antioxidante, reduzindo danos celulares causados pelo estresse
- Cálcio e fósforo: essenciais para a saúde óssea e metabolismo energético
A suplementação mineral deve ser ajustada conforme a categoria animal, fase produtiva e condições do sistema de criação.
Nutrição como ferramenta de prevenção sanitária
Uma alimentação equilibrada atua de forma preventiva, reduzindo a necessidade de intervenções terapêuticas. Ovinos bem nutridos apresentam menor carga parasitária, melhor recuperação frente a desafios sanitários e menor incidência de doenças metabólicas.
Além disso, dietas adequadas contribuem para:
- Menor mortalidade
- Maior longevidade produtiva
- Redução do uso de medicamentos
- Maior eficiência econômica do sistema