A bubalinocultura leiteira vem ganhando espaço no cenário nacional e internacional, não apenas pela rusticidade dos búfalos, mas também pela qualidade do leite produzido, rico em gordura, proteína e sólidos totais. No entanto, a nutrição desses animais requer um olhar diferenciado, pois há particularidades fisiológicas e metabólicas que os distinguem dos bovinos. Compreender essas diferenças é fundamental para formular dietas equilibradas e alcançar bom desempenho zootécnico e produtivo.
Particularidades fisiológicas dos búfalos
Os búfalos apresentam um metabolismo mais lento e um comportamento alimentar distinto dos bovinos. Em geral, têm menor ingestão voluntária de matéria seca (MS), maior eficiência na digestão de fibras e maior sensibilidade ao calor. Isso impacta diretamente a formulação de dietas e o manejo alimentar.
Além disso, os búfalos têm glândulas sudoríparas menos eficientes, o que os torna mais propensos ao estresse térmico. Em regiões de clima quente, a queda no consumo de alimento e na produção de leite pode ser acentuada. Por isso, estratégias nutricionais que favoreçam o conforto térmico e a digestibilidade da dieta são indispensáveis.
Diferenças nutricionais em relação aos bovinos
- Maior aproveitamento de fibras
Os búfalos possuem uma microbiota ruminal mais eficiente na digestão de fibras, o que permite utilizar com mais eficácia volumosos fibrosos e subprodutos agroindustriais. Ingredientes como farelo de trigo, farelo de algodão e polpa cítrica podem ser incorporados com sucesso à dieta. Isso representa uma vantagem econômica e nutricional.
Contudo, o bom aproveitamento da fibra não significa que a dieta possa ser pobre em energia. Para garantir altos níveis de produção de leite, é essencial equilibrar a fibra com fontes energéticas, como milho moído e grãos secos.
- Necessidade de proteína de qualidade
Embora a exigência de proteína bruta seja semelhante à dos bovinos em função da produção, os búfalos se beneficiam do fornecimento de proteína degradável no rúmen (PDR) e proteína não degradável no rúmen (PNDR), especialmente em sistemas de produção mais intensivos. A inclusão de farelo de soja bypass, farelo de canola, ddgs é recomendado para atender essas exigências.
O uso de fontes de proteína de alta digestibilidade favorece a síntese microbiana e a produção de leite com maior teor de proteína e sólidos, características valorizadas na cadeia produtiva de laticínios de búfala.
- Demanda energética e produção de leite
O leite de búfala apresenta, em média, 7% de gordura e 4,5% de proteína, valores superiores ao leite de vaca. Para sustentar essa composição, a dieta precisa garantir densidade energética elevada. Grãos (milho, sorgo), gorduras protegidas e subprodutos energéticos devem ser incorporados estrategicamente, especialmente durante a fase de pico de lactação.
Além disso, é necessário atenção à suplementação de minerais, como cálcio e fósforo, que são essenciais para o metabolismo e a produção láctea. O uso de calcário calcítico e sal mineralizado também faz parte do programa nutricional completo para búfalos leiteiros.
Estratégias práticas para a alimentação de búfalas leiteiras
- Divisão da dieta em fases produtivas: Como nos bovinos, é fundamental adaptar a nutrição à fase produtiva — transição, pico de lactação, persistência e seca.
- Oferecimento de alimentos frescos e palatáveis: A menor ingestão voluntária exige atenção à qualidade dos ingredientes. Grãos e farelos bem armazenados e livres de contaminação fúngica são indispensáveis.
- Ajuste da dieta conforme o clima: Em épocas quentes, o fornecimento de dietas mais concentradas e o uso de aditivos que reduzam o estresse térmico podem fazer a diferença.
- Disponibilidade de água limpa e fresca: Apesar de serem animais rústicos, os búfalos têm grande demanda hídrica. A ingestão adequada de água impacta diretamente na produção de leite.