A eficiência do confinamento está diretamente ligada à qualidade da dieta oferecida. Em sistemas intensivos, a formulação precisa ser estratégica, buscando alto ganho de peso, boa conversão alimentar e segurança ruminal, sempre com foco no custo por arroba produzida.
Dietas de alto desempenho não se resumem a aumentar concentrado. Elas exigem equilíbrio entre energia, fibra, proteína e minerais, além de ingredientes confiáveis e padronizados, que garantam previsibilidade de consumo e desempenho ao longo de todo o ciclo.
Energia: base do desempenho no confinamento
A energia é o principal fator limitante do ganho de peso em bovinos confinados. Dietas energéticas promovem maior ganho médio diário, desde que bem ajustadas ao manejo e à adaptação dos animais.
No confinamento, a energia é fornecida principalmente por ingredientes ricos em amido e energia digestível. Entre os insumos amplamente utilizados nesse contexto estão:
- Milho grão
- Subprodutos do milho, como DDGS e resíduos de milho
- Sorgo
- Casca de soja
Esses ingredientes permitem elevar a densidade energética da dieta, melhorando a eficiência alimentar. No entanto, seu uso deve ser sempre acompanhado de fibra adequada e adaptação gradual, evitando distúrbios metabólicos como acidose ruminal.
A escolha de ingredientes energéticos de qualidade, com boa padronização física e nutricional, é essencial para manter consumo estável e resultados consistentes no confinamento.
Fibra: segurança ruminal e estabilidade de consumo
Mesmo em dietas de alto concentrado, a fibra continua sendo indispensável. Ela é responsável por estimular a mastigação, a salivação e a manutenção do pH ruminal, fatores diretamente ligados à saúde e ao desempenho dos animais.
No confinamento, mais importante do que o teor de fibra é a presença de fibra efetiva. Volumosos bem conservados e subprodutos fibrosos de origem vegetal ajudam a equilibrar a fermentação ruminal.
Entre os ingredientes utilizados com essa finalidade, destacam-se:
- Farelo de canola
- Casca de arroz moída
- Polpa cítrica
A inclusão correta desses ingredientes contribui para maior estabilidade do consumo, redução de problemas metabólicos e melhor aproveitamento dos nutrientes da dieta.
Proteína: eficiência nutricional com fontes vegetais
A proteína é fundamental para o crescimento muscular e para o funcionamento da microbiota ruminal. Em dietas para ruminantes, é obrigatório o uso exclusivo de fontes proteicas de origem vegetal.
No confinamento, a proteína deve ser fornecida de forma equilibrada, considerando tanto a proteína degradável no rúmen quanto a proteína não degradável. Entre os principais ingredientes utilizados estão:
- Farelo de soja
- Caroço de algodão
- Alfafa peletizada
Esses ingredientes permitem atender às exigências dos microrganismos ruminais e do animal, promovendo maior eficiência de utilização da dieta e melhor desempenho produtivo.
O ajuste correto da proteína, aliado a uma boa oferta de energia, reduz perdas por excreção de nitrogênio e contribui para dietas mais eficientes e econômicas.
Minerais: ajuste fino que impacta o resultado
Os minerais exercem papel decisivo no desempenho de bovinos confinados. Deficiências, mesmo em níveis subclínicos, afetam ganho de peso, imunidade e eficiência alimentar.
Ingredientes como:
- Calcário
- Sal moído
são fundamentais para o correto balanceamento mineral da dieta, garantindo adequado aporte de cálcio, sódio e outros elementos essenciais.
O fornecimento mineral correto contribui para melhor desempenho, maior longevidade dos animais no sistema e redução de perdas produtivas.
Formulação aliada ao manejo
Não existe dieta de alto desempenho sem manejo eficiente. Frequência e regularidade de trato, homogeneidade da mistura, acesso contínuo à água de qualidade e acompanhamento diário do consumo são fatores determinantes para o sucesso do confinamento.
A combinação entre ingredientes de qualidade, formulação bem ajustada e manejo adequado resulta em dietas mais seguras, eficientes e rentáveis. Investir em uma nutrição bem planejada é uma das formas mais diretas de melhorar o desempenho produtivo e econômico do confinamento.