A nutrição de matrizes avícolas exerce papel central no desempenho reprodutivo, na qualidade dos ovos incubáveis e na viabilidade dos pintos. Diferentemente das aves de corte, o foco nutricional das matrizes não está apenas no ganho de peso, mas no equilíbrio entre manutenção corporal, produção de ovos férteis, fertilidade, eclosão e longevidade produtiva. Para produtores e médicos-veterinários, compreender os desafios nutricionais e as soluções práticas é essencial para garantir eficiência e sustentabilidade do sistema.
Objetivos da nutrição de matrizes
O principal objetivo da nutrição de matrizes é atender às exigências nutricionais em cada fase produtiva, assegurando:
- Desenvolvimento corporal adequado
- Boa uniformidade do lote
- Produção consistente de ovos incubáveis
- Alta taxa de fertilidade e eclodibilidade
- Qualidade embrionária e pintos mais viáveis
Esses fatores estão diretamente relacionados ao correto fornecimento de energia, proteína, aminoácidos essenciais, minerais, vitaminas e água de boa qualidade.
Principais desafios nutricionais
- Controle do peso corporal e uniformidade
Um dos maiores desafios na criação de matrizes é manter o peso corporal dentro das curvas recomendadas. Excesso de peso pode comprometer a fertilidade, aumentar a incidência de ovos defeituosos e reduzir a persistência de postura. Por outro lado, aves abaixo do peso apresentam menor produção e ovos menores, afetando a qualidade do pinto.
A uniformidade do lote é fundamental, pois lotes desuniformes respondem de forma diferente ao manejo alimentar, dificultando ajustes precisos na dieta.
- Equilíbrio energético-proteico
Dietas com densidade energética inadequada podem levar ao acúmulo excessivo de gordura corporal, especialmente na cavidade abdominal e no fígado, prejudicando a função reprodutiva. O balanceamento correto entre energia metabolizável e proteína bruta, aliado ao uso de aminoácidos digestíveis, é uma estratégia essencial para atender às exigências sem excessos.
- Qualidade da casca e dos ovos incubáveis
A nutrição mineral exerce impacto direto na qualidade da casca do ovo. Deficiências ou desequilíbrios de cálcio, fósforo disponível e vitamina D comprometem a resistência da casca, aumentando perdas na incubação e reduzindo a taxa de eclosão. Além disso, micronutrientes como manganês, zinco e cobre estão envolvidos na formação da matriz orgânica da casca e não devem ser negligenciados.
- Fertilidade e viabilidade embrionária
Vitaminas antioxidantes, como vitamina E e selênio, desempenham papel importante na proteção celular e na qualidade do sêmen dos reprodutores, além de contribuírem para o desenvolvimento embrionário adequado. Dietas deficientes podem resultar em maior mortalidade embrionária precoce e pintos mais frágeis.
Insumos de origem vegetal aplicáveis à nutrição de matrizes
Dentro das estratégias nutricionais, o uso de insumos de origem vegetal é uma alternativa consolidada para atender às exigências de energia, proteína e fibra das matrizes avícolas.
Farelo de soja: Principal fonte proteica de origem vegetal na alimentação de matrizes, com perfil de aminoácidos adequado, especialmente lisina, fundamental para manutenção corporal, produção de ovos e qualidade embrionária.
Farelo de canola: Ingrediente proteico alternativo que contribui para diversificação da dieta. Quando bem processado e corretamente incluído na formulação, auxilia no atendimento das exigências proteicas, com bom teor de aminoácidos sulfurados, importantes para qualidade do ovo e da casca.
Farelo de algodão: Fonte de proteína e fibra, podendo ser utilizado com critérios técnicos, respeitando limites de inclusão e controle de gossipol, especialmente em dietas de matrizes em recria e postura.
Milho e subprodutos energéticos de origem vegetal: Base energética das dietas, fornecendo energia metabolizável essencial para manutenção e produção. A qualidade do milho influencia diretamente o consumo, o equilíbrio energético e o desempenho reprodutivo.
Farelos vegetais ricos em fibra: Contribuem para maior saciedade, melhor funcionamento do trato digestório e controle do peso corporal, aspecto crítico na criação de matrizes.
Esses ingredientes, quando combinados de forma estratégica, permitem formular dietas equilibradas, com bom aproveitamento nutricional e suporte adequado às diferentes fases produtivas.
Estratégias nutricionais como solução
- Programas alimentares por fase
A adoção de programas nutricionais específicos para cada fase, recria, pré-postura e postura, permite atender às exigências fisiológicas das matrizes ao longo do ciclo produtivo. Ajustes graduais na densidade nutricional evitam choques metabólicos e favorecem melhor desempenho reprodutivo.
- Uso de ingredientes de alta digestibilidade
Ingredientes com boa digestibilidade proteica e energética contribuem para melhor aproveitamento dos nutrientes, redução de excretas e maior eficiência alimentar. A escolha criteriosa das fontes proteicas e energéticas é fundamental para garantir consistência na formulação das rações.
- Suplementação mineral e vitamínica estratégica
O uso adequado de minerais orgânicos, vitaminas lipossolúveis e hidrossolúveis, bem como aditivos nutricionais, pode auxiliar na melhora da fertilidade, da qualidade da casca e da resistência dos pintos ao estresse inicial pós-eclosão.
- Manejo alimentar aliado à nutrição
Além da formulação da dieta, o manejo alimentar influencia diretamente os resultados. Distribuição homogênea da ração, ajuste correto de comedouros, controle do consumo diário e monitoramento constante do peso corporal são práticas indispensáveis para o sucesso nutricional das matrizes.